Motivada pela reformulação do secundário iniciada pela Secretaria da Educação, a situação transformou a rotina dos estabelecimentos de ensino e semeou controvérsias neste princípio de ano letivo.
Com a reestruturação, iniciada em 2012 pelo 1º ano do Ensino Médio, o governo substituiu as notas numéricas, conferidas por disciplina, por três conceitos, que avaliam o desempenho em quatro grandes áreas do conhecimento. Pela nova regra, o aluno que obtém o pior dos três conceitos possíveis, batizado de Construção Restrita da Aprendizagem (CRA), em uma das quatro áreas, está aprovado e passa para o ano seguinte. No entanto, se ele fica com CRA em duas ou mais áreas, é reprovado.
O detalhe é que, por se tratar de uma novidade, a SEC orientou as escolas a dar uma chance extra aos alunos reprovados. O primeiro mês de aulas de 2013 virou, para muitos deles, um período de recuperação. Até a sexta-feira, estudantes de 1º ano que tiveram mau desempenho em diferentes áreas do conhecimento serão submetidos a avaliações para definir se, dentro de alguns dias, mudarão seus cadernos e lápis para uma turma de 2º ano.
A situação gerou celeuma porque as escolas tiveram de criar, ao longo de março, uma nova sistemática para trabalhar com esses alunos que estão em uma espécie de zona indefinida entre o 1º e o 2º ano. Uma outra preocupação é que tais estudantes, que já têm um histórico de dificuldade de aprendizagem, vão ingressar em breve em uma turma de 2º ano que estará em pleno andamento — um risco de ficarem defasados.
Críticos entendem que a mudança proposta pela SEC foi uma forma de forçar a aprovação automática dos alunos e de inflar o desempenho do Estado em avaliações educacionais.
— Discutimos o assunto na escola e se chegou à conclusão de que foi feita uma enjambração para empurrar goela abaixo a aprovação automática. É um rebaixamento do ensino com o objetivo de aprovar todos os alunos — relata Tatiana Pinto dos Santos, vice-diretora do Colégio Cônego Paulo de Nadal.
Existe o risco de que a chance extra dada aos alunos se revele inócua. Na segunda-feira, o Instituto de Educação realizou a prova de Matemática que poderia catapultar seus repetentes do 1º ano direto para o 2º. Só apareceram 14 dos 35 alunos esperados.
— Isso nos deixou chocados. Os alunos não estão querendo muito — diz a vice-diretora da manhã, Alessandra Lemes.
Na Escola Parobé, que realizou na terça-feira parte dos conselhos de classe, a diretora Carmen Straliotto prevê que muitos dos que foram reprovados no 1º ano em 2012 serão reprovados de novo na chance adicional. Segundo ela, alunos retidos por excesso de faltas, por exemplo, reincidiram no comportamento.
— Aqueles que no ano passado tiveram dificuldade de aprendizado não estão sendo aprovados agora. É difícil recuperar um ano inteiro em 15 dias. Encaramos esta nova oportunidade como um processo sério. Falei aos professores que aprovar por aprovar não é profissional — diz Carmen.
A coordenadora da gestão do Ensino Médio e da Educação Profissional da SEC, Maria de Guadalupe Menezes de Lima, rebate a ideia de que a secretaria esteja forçando a aprovação automática.
— Se tivéssemos essa intenção, já teríamos implantado a promoção automática, em lugar de deixar para a escola a decisão sobre se o aluno tem condições de avançar.
Ela diz que o ingresso de alunos em turmas de 2º ano já em andamento preocupa, mas pode ser resolvido pelo trabalho coletivo dos docentes. Segundo Maria de Guadalupe, a chance de avançar de ano que os alunos reprovados estão recebendo no começo 2013 é um direito assegurado na legislação:
— Isso é algo que tem de acontecer sempre, para todo mundo. Todo estudante pode avançar em qualquer época do ano. Estamos fazendo ações para que as escolas incorporem essa prática.













0 comentários:
Postar um comentário