quinta-feira, 2 de maio de 2013

Carrasco do Barça, Robben busca título inédito antes de possível adeus

No Camp Nou, Arjen Robben teve a sua vingança frente a David Villa. O espanhol foi o "9" oficial da Espanha, que na final da Copa do Mundo em 2010 derrotou a seleção holandesa, liderada pelo atacante do Bayern de Munique. Nos 180 minutos do duelo entre Robben e Villa nas semifinais da Liga dos Campeões, o holandês marcou dois gols, contra zero do espanhol. E o camisa 10 dos bávaros ainda entrou para a restrita lista composta por quatro jogadores que anotaram contra Barcelona no jogo de ida e de volta da Champions.

O gol em especial da última quarta-feira, no Camp Nou - numa jogada típica de Robben, que só o Barcelona ainda não captou - arruinou definitivamente com a pequena esperança culé e selou a classificação do Bayern de Munique para a final da principal competição do continente. Pela terceira vez, ele terá a oportunidade de levantar um troféu que escapou pelas mãos nas edições anteriores - em 2012, Robben foi um dos personagens ao perder um pênalti na prorrogação e ver o Chelsea virar na disputa da marca da cal para se sagrar campeão. Tudo isso num clima de provável adeus antes da chegada de Pep Guardiola.

Robben comemora o seu belo gol que abriu a contagem diante do Barcelona (Foto: Reuters)

Finais 'malditas'
Meses antes de perder o título mundial com a seleção holandesa na África do Sul, o atacante havia perdido a final da Liga dos Campeões contra o Internazionale de José Mourinho. No ano passado, como já mencionado, o holandês acrescentou mais uma derrota ao seu currículo, talvez a mais doída delas, na Allianz Arena, em Munique.

- O Robben quer muito ganhar essa final como todos nós. Ele é um jogador muito determinado e entra sempre em campo para vencer - disse o zagueiro Dante, companheiro de equipe do holandês.

Todos querem vencer a final, mas Robben é quem tem mais motivos para desejar essa "maldita" Copa. O holandês teve passagens por grandes clubes europeus como Chelsea e Real Madrid sem nunca, porém, vencer qualquer título internacional. No final da temporada, vencendo ou perdendo diante do Borussia Dortmund, no dia 25 de maio, em Wembley, Robben deverá deixar o Bayern de Munique. Uma oportunidade que desta vez o holandês não pode desperdiçar, mas se sente ansioso.

- Faltam ainda muitos dias para falar da final frente ao Dortmund, mas está claro que chegamos a essa fase concentrados e convencidos de que este ano venceremos o título. Melhoramos muito e temos muito talento para vencer a Liga dos Campeões - afirmou o holandês, muito elogiado por outro brasileiro.

- Qualquer time do mundo gostaria de ter um jogador com o Robben, ele é fantástico - comentou o volante Luiz Gustavo.

Robben é festejado pelos companheiros nos 3 a 0 em pleno Camp Nou (Foto: AP)

No entanto, a imprensa alemã não está convencida de que Guardiola queira Robben no time no próximo ano. O holandês tem contrato até 2016 e já declarou várias vezes o seu amor a Munique. Ele também tem o carinho da torcida, mas pode deixar a cidade se não fizer parte do novo projeto de Guardiola, segundo o jornalista Jörg Althoff, do diárdio "Bild".

- O Robben revelou que gostaria de ficar em Munique. No último verão, a esposa dele, Bernardien, disse que não queria de jeito algum deixar a cidade. Esse ano, ele pode mesmo sair, caso o Guardiola não tenha intenção de escalá-lo frequentemente como titular. O Juventus está muito interessado, o Internazionale e o Galatasaray também sondaram o jogador - garantiu Althoff.

Guardiola x Robben

Robben só assumiu a condição de titular depois da
lesão do meia Toni Kroos (Foto: Agência EFE)
Quarta, no Camp Nou, Robben desperdiçou duas ocasiões claras de gol no primeiro tempo por excessivo egoísmo. O holandês marcou o gol que selou a semifinal, é bem verdade, mas também perdeu 14 bolas, contra sete de Villa, por exemplo, que pouco se viu em campo. Para a imprensa espanhola, o casmisa 10 foi indiscutivelmente o melhor em campo dos bávaros, graças à sua excelente condição física e aos seus remates. Argumentos que poderão não ser suficientes para convencer Guardiola.

O holandês é bem menos esforçado no aspecto defensivo do que Franck Ribéry, que ocupa uma posição semelhante e esteve incansável frente a Dani Alves, correndo por toda a ala direita para defender e atacar. Robben já protagonizou problemas no vestiário com o francês na temporada passada e foi várias vezes acusado de egoísmo pelos colegas.

Robben acabou relegado para o banco de reservas em detrimento de Toni Kroos e só voltou ao time titular justamente depois da lesão do meia contra o Juventus, nas quartas de final. Aos 29 anos, ele é um dos jogadores mais em forma dos bávaros e tem tido uma performance brilhante, que convenceu torcedores e o próprio Heynckes, decidido a abrir mão do holandês no início da temporada. O futuro do jogador é incerto, mas antes de decidir se vai ou se fica, Robben tem duas finais pela frente: a Copa da Alemanha e a Liga dos Campeões. Será que é desta vez?

Arjen Robben perdeu um pênalti durante a prorrogação na decisão da última Champions (Foto: Getty Images)

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