Nadal vibra com seu título no Brasil, porém sabe do longo caminho para voltar ao seu nível alto. (Estadão Cont …
Foram oito longos meses de recuperação para voltar a fazer o que mais gosta. Do título em Roland Garros contra Novak Djokovic até perder para o desconhecido Lukas Rosol em 28 de junho de 2012 em Wimbledon. Logo após a zebra, a notícia que balançou o mundo do tênis. Rafael Nadal estava fora da Olimpíada de Londres e não tinha previsão de volta. Ao conversar com o espanhol fica claro o quanto ele pretende recuperar seu joelho, como está incomodado com a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), tem a exata noção da sua importância para o esporte e para seu país e o quão gigante é a imagem de Roger Federer no mundo do tênis.
Campeão do Brasil Open 2013, Rafael Nadal ainda não está satisfeito. Sabe que sua recuperação do joelho é longa e somente as sequências de partida darão a dimensão exata de o quanto a lesão afetará seu desempenho em quadra. Apesar do espanhol citar algumas vezes seus problemas, o assunto não era este, e sim, as opiniões do tenista número cinco do mundo sobre o universo do tênis. Ele não poupa críticas para com a ATP em relação ao excesso de torneios em quadra de cimentos. "Somos o único esporte que utiliza um piso prejudicial aos atletas e a associação não altera isto", afirma. Para Nadal, o aumento de graves lesões dos tenistas tem ligações diretas com as quadras utilizadas pela organização.Sobre os problemas na quadra do Brasil Open (buracos e linhas mudavam o rumo da bola), Nadal evita entrar em polêmica e diz: "Quadras não fixas têm estes problemas. A organização fez um bom trabalho, mas nunca todos ficarão satisfeitos". Apesar dos problemas e reclamações dos outros jogadores, Nadal faz questão de exaltar o público de São Paulo, que vibrava muito com 'El Toro' a cada entrada em quadra, ponto vencido e vitória na competição.
Saindo da questão polêmica das quadras, o tenista fala sobre o universo do tênis. Mostra um grande incômodo pelos meses afastado das quadras, mas deixa claro que pretende compreender seu joelho aos poucos.
E quando fala sobre seus problemas físicos, voltam lembranças do primeiro semestre de 2012. "O último set da decisão de Roland Garros é um dos mais importantes da minha carreira. Sabia da dificuldade de enfrentar Novak (Djokovic), mas consegui uma das mais importantes conquistas da minha carreira. Meu sétimo título em Paris".
Por outro lado, recorda da sua derrota no Australian Open em partida de seis horas. "Eu joguei contra o melhor jogador do mundo naquele momento. Tive minhas chances, mas sai satisfeito por tudo que lutei". Sobre a incômoda derrota para Rosol em Wimbledon, com toda a tranquilidade que é perceptível, Nadal crava: "Não foi o pior momento da minha carreira. A derrota não é o pior momento. A lesão foi péssima. O joelho estava muito ruim após Roland Garros, então não consegui jogar meu melhor. Lukas esteve em um dia ótimo e avançou".
Em 2008, Nadal e Federer fizeram a maior partida da história de tênis. (Getty Images)
Porém, Nadal abre um sorriso quando o assunto é um certo jogador suíço. Rafa é a grande 'pedra no sapato' do maior tenista da história, Roger Federer. E o espanhol não nega: 'Federer é o maior de todos os tempos, seus números, o público que ele traz para ver tênis, ajudam a comprovar isto. Foi contra ele que joguei algumas das minhas melhores partidas". E quando fala do suíço, a conversa volta para 2008, quando ambos se enfrentaram na decisão de Wimbledon. O primeiro título no Grand Slam britânico do espanhol, este jogo é considerado o maior de todos os tempos (Nadal comenta: "São vocês jornalistas que dizem isto") do tênis e a rivalidade Federer x Nadal está entre as grandes entre todos esportes.
Economia e futebol encerram a entrevista. Rafael Nadal tem a exata noção dos problemas financeiros da Espanha e sabe que o esporte ganha muita importância para a população. O número cinco do mundo não vê a crise como um fator prejudicial para a formação de novos atletas, pelo contrário, imagina que o esporte possa ajudar na recuperação do país. E compreende como ele, Fernando Alonso e a seleção de futebol espanhola podem melhorar a autoestima da população com vitórias.
E sem falar de tênis, Nadal assume sua paixão pelo Real Madrid e conta uma curiosidade, ao lado da família é um dos acionistas da equipe espanhola do Mallorca. Quando perguntado se participava da contratação de jogadores, deu risada e garantiu que prefere ficar dentro das quadras de tênis com uma raquete na mão.













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